Justiça ou espetáculo?



   Na mídia os programas policiais ganham espaço com apelo popular, sensacionalista e muita violência. 

Algumas autoridades se manifestaram contra a exploração do sofrimento e tornar público tais fatos. 




A opinião pública ficaria tendenciosa, a mídia estaria instigando a condenação moral e processual, antes mesmo de aberto o devido processo legal.

       Com isto, passou a ser comum processos de indenizações decorrentes de excessos como acusações movidas pelo clamor das emoções, sem qualquer prova ou condenação posterior. Em casos mais extremos, até mesmo linchamentos públicos. 

  A exploração do instinto humano vingativo, condenando aqueles considerados culpados sem compaixão, cruéis, ou insensíveis, como se não fossem humanos e não merecessem serem devidamente processados e julgados, para somente depois, cumprirem a pena que lhes for justa e adequada.

   Esse comportamento humano até é compreensível quando se trata de pessoas leigas juridicamente. Porém, em se tratando de autoridades do judiciário, como delegados, promotores de justiça e juízes de direito, é inadmissível uma postura passional, movida pela emoção, quando eles, mais do que qualquer outra pessoa, sabem que no direito, há que se deixar a emoção de lado e pensar com a razão. É preciso avaliar provas, testemunhos, elementos concretos e acima de tudo, dar o amplo direito de defesa do acusado, antes de qualquer prejulgamento.

     As absolvições judiciais nunca foram noticiadas com a mesma ênfase que no momento das ocorrências;

  Algumas dessas autoridades que antes criticavam a atuação da mídia sensacionalista, hoje, não raras vezes, se juntam a ela para expor determinados casos polêmicos, cujas decisões fogem à racionalidade e imparcialidade esperadas, dando espaço ao pré-julgamento, baseado em sentimentos como indignação, se utilizando da mídia para obterem apoio popular que justifique decisões que, muitas vezes, ignoram os princípios do devido processo legal.

  Assim, mesmo que inconscientemente, a sociedade perde cada vez mais a confiança no sistema jurídico e naqueles que, um dia, foram a esperança dos que se socorrem do judiciário, comprometendo os princípios basilares do Estado de Direito.

  Dessa forma, incentiva-se o prejulgamento, transformando a justiça num verdadeiro espetáculo.

Glauber Sanfins é advogado e consultor jurídico em Itatiba/SP, especializado e experiente, atua nas áreas do Direito: Empresarial, Trabalhista, Cível, Website: www.sanfins.com.br
   
     








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